CRÍTICA DO FILME O DIABO DE CADA DIA
- Thais Moreira

- 22 de set. de 2020
- 2 min de leitura
O mais novo filme da Netflix, O Diabo de Cada Dia tem um tom familiar, parecendo ser um longa de Meio-Oeste, com muita narração em modo off, além de ter um sotaque carregado de Ohio. O narrador mostra mapa de cidades vizinhas, como no Estado da Virginia e assim uma fala bem característica da zona rural. A história nesses lugares acontece nos anos de 1950, com violência e coincidências trágicas com um ex-soldado, seu filho, um pastor abusador e um casal de serial killers.
A trama foi baseada no livro do autor Donald Ray Pollock, The Devil All the Time (O Mal Nosso de Cada Dia), que inclusive a convite do diretor Antonio Campos, é o próprio narrador do filme. Pollock viveu em uma das cidades mencionadas no longa, Knockemstiff até os anos 50. Ele conta suas vivências no livro, mas também no filme.
No desenrolar de O Diabo de Cada Dia, os acasos e as tragédias são coisas da existência, e para isso o elenco muito bem escolhido te Tom Holland, Jason Clarke e Rober Pattinson, com sotaques muito bem treinados para a autenticidade dos personagens. Campos coloca a violência desafetada, desordenada e instantânea, uma coisa parecida com Cormac McCathy, que tem matanças à sombra da ausência de Deus.
O diretor conduz o filme de uma forma com a câmera engrandecedora, com zooms que ajudam a compor um épico fatalista. O que se tira do longo é que realmente o que ele se comprometeu a mostrar, é mostrando com uma super atuação e super encenado close-ups geométricos e claustrofóbicos.
Relatos de violências no meio da época abordada na história, com casos sombrios que provocam incômodos, esse é O Diabo de Cada Dia. Um filme com duas horas que vale a pena, sem dúvida, de assistir.





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