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FRANGO COM PEQUI

Um dia desses de quarentena me trouxe lembranças boas dos momentos da infância de quando ia passar o dia inteiro na casa da minha melhor amiga para brincar. A primeira coisa que acontecia era o famoso ritual do “pede para minha mãe que ela deixa”. Depois, a difícil decisão de qual brinquedo levar. No fim, acabava que sempre pegava os mesmos, lápis de cor, folhas de papel e alguma boneca. Chegava lá e fazia uma grande bagunça a manhã toda. Tudo era motivo de brincadeira, tudo simplesmente com a imaginação. Trazia uma sensação tão gostosa de felicidade. Quando a dava hora do almoço tínhamos outro ritual.

A irmã arrumava os talheres e pratos, eu a minha melhor amiga fazia a salada e a mãe trazias as panelas quentes. Um cheiro tão bom que dava água na boca. Era a coisa mais linda, uma obra de arte. Era frango com pequi. Uma delícia de prato, mas “cuidado! ”, dizia a mãe. Para quem desconhece, o pequi não pode ser mordido, porque têm espinhos. Todas às vezes que tinha essa comida, tinha a certeza que existia o amor e a amizade ali.

Uma amizade duradoura lá pelos lados de Goiás. Em época de pandemia, esse tipo de lembrança é constante e é algo bom lembrar de momentos bons de afetos.



Ilustração: Sangela Gabriela

 
 
 

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